10 de novembro de 2012
Frágil - Você tem tanta vontade de chorar,
tanta vontade de ir embora.
Para que o protejam, para que sintam falta.
Tanta vontade de viajar para bem longe,
romper todos os laços, sem deixar endereço.
Um dia mandará um cartão postal, de algum lugar improvável.
Bali, Madagascar, Sumatra.
Escreverá: penso em você.
Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi
pensar em você num lugar improvável como esse.
Você se comove com o que não acontece,
você sente frio e medo.
Parado atrás da vidraça, olhando a chuva que,
aos poucos, começa a passar.
Caio Fernando Abreu (in Pequenas Epifanias)
4 de novembro de 2012
3 de novembro de 2012
1 de novembro de 2012
27 de outubro de 2012
21 de outubro de 2012
O que mais me deteve, do que pensei,
era assim: a perda do amor é igual à perda da morte.
Só que dói mais.
Quando morre alguém que você ama,
você se dói inteiro(a)- mas a morte é inevitável, portanto normal.
Quando você perde alguém que você ama,
e esse amor – essa pessoa – continua vivo(a),
há então uma morte anormal.
Caio Fernando Abreu
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